Mulher todos os dias e os dias todos

 MULHER TODOS OS DIAS E OS DIAS TODOS:

 

            Mulher, menina, moça, sempre mulher. Mulher vida, mulher terra, mulher água, mulher luz... Parabéns! Porque... Por quê? Já te perguntaram porque tu choras? Já descobriram o que te faz rir? Já te aceitaram como tu és? Imprevisível e surpreendente? Pois choras quando qualquer homem sorria, cantas quando qualquer homem reclamaria. Já te disseram que és tão ou mais bela rindo? Indo e vindo, livre para amar?

            Mulher amada, amante, amiga, mulher poesia. Mulher inspiração! Mulher exclamação! Se eu me esquecer de te dizer TE AMO! Ama-me assim mesmo. Se eu me esquecer de pedir PERDÃO, me perdoa, ta. Tu sabes, melhor que as minhas palavras podem dizer-te, que eu sou simplesmente um homem e sou cada vez mais homem quando de ti aprendo o que é ser homem. Quando contigo aprendo o que é ser mulher. Quando sou tão homem que seja um pouco mulher também. É preciso ser ao menos um pouco mulher para dizer, mulher eu te amo! Mulher, mesmo não te entendendo, eu te entendo, mulher, eu não seria nada sem você.

            Hoje é o teu dia. Parabéns! O mundo deveria ser avaliado, pela forma como age com as mulheres. E, se a conclusão a respeito desse agir for à mesma a que cheguei, com minha avaliação, o mundo deveria parar. Parar para pensar, parar de te tratar como coisa, objeto, enfim, parar com tanta violência contra ti. Contra ti? Contra teus filhos e filhas. Contra a vida. Parar para mudar.

Somente quando todos os dias forem o teu dia, sentirei-me plenamente homem. Quando cada dia teu, for teu o dia todo, e não somente na hora do café, na hora do almoço e na hora do jantar, os homens serão mais homens. Porque serão, finalmente, companheiros. Quando tu fores igual e plenamente mulher, na sala, na cozinha e no quarto, na rua, na mesa e na cama, eu quero ouvir o teu choro. Eu quero ser a causa do teu choro. Porque tu não és assim? Teu sorriso mais pleno não é em forma de choro? Chora mulher, se for assim, chora e me ensina a chorar.

            Acolhe-me, mulher, nos braços, no colo, no peito, no coração. Eu não vim apenas de dentro de ti, mas vivo e preciso viver assim. Faz-me nascer, crescer, menino, do meio das pernas de teus sentimentos, a cada dia, a cada choro, a cada amanhecer e não me deixa por muito tempo longe delas. Teus peitos me alimentaram, me alimentam, tuas mãos me afagam, teu olhar me protege, teu cheiro me atrai.

            Não temas Maria, Francisca, Izabel, Joana, Aneide, Índia, Menina,..., Pois obtiveste graça junto a Deus [1]. Quem, se não tu, pode dar à luz à luz do mundo? Quem, se não tu, com tua humildade, poderia dizer ao Deus feminino porque Trindade: “Eu sou a serva do Senhor. Aconteça-me segundo a tua palavra [2]?”. Quem mais pode olhar e ver as pedras roladas ou a serem roladas dos túmulos e sepulcros [3] de um mundo caduco, carente dos perfumes e essências do feminino, se não tu? Mulher, a Boa Notícia que não para de ecoar à revelia de ouvidos masculinos e moucos, vem de Deus, mas vem por ti. Mulher, eis aqui o teu filho, o teu companheiro, o teu irmão e amigo. E, por tudo isso, o teu homem.

 

Brasília, 08 de Março, de 2010.

João Santiago - Poeta e Militante. Contato: [email protected]



[1] Lucas, 1, 30.

[2] Lucas 1, 38

[3] Lucas 24, 1-3